Como lidar com o transtorno de ansiedade generalizada e reduzir a sobrecarga mental

O Peso Invisível do Transtorno de Ansiedade Generalizada

O transtorno de ansiedade generalizada não é apenas “ser muito preocupada”. É viver em estado de alerta constante, como se algo pudesse dar errado a qualquer momento. A mente não descansa. O corpo não relaxa. E com o tempo, o cansaço se torna parte da identidade.

Quem convive com TAG sente que precisa estar preparada o tempo todo. Existe uma sensação permanente de que, se baixar a guarda, algo ruim acontecerá. Por isso, a preocupação vira estratégia de sobrevivência. A lógica interna é simples: “Se eu pensar em tudo que pode dar errado, estarei segura”. No entanto, essa tentativa de controle gera exatamente o oposto. Gera sobrecarga cognitivo, estresse e exaustão emocional.

Viver em Alerta Como Se Houvesse um Perigo Real

Ter transtorno de ansiedade generalizada é como viver fugindo de um leão que não existe. O cérebro reage como se estivesse diante de uma ameaça concreta. A respiração acelera, o coração dispara, os músculos se contraem. Mesmo que o cenário externo esteja tranquilo, internamente tudo parece urgente.

A dificuldade para dormir é comum, porque a mente insiste em criar cenários futuros. Conversas simples podem ser reinterpretadas como sinais de risco. Pequenas incertezas ganham proporções enormes. Além disso, a pessoa passa a revisar mentalmente comportamentos próprios e dos outros, buscando sinais de perigo que, na maioria das vezes, não estão lá.

Na Terapia Cognitivo-Comportamental, entendemos que o TAG é mantido por um ciclo de preocupação constante, com o presente, mas com foco no futuro. A pessoa acredita que antecipar problemas evita sofrimento. Porém, a preocupação excessiva não resolve situações, ela apenas mantém o sistema de alerta ativado.

Quando o Corpo Também Adoece

O transtorno de ansiedade generalizada não fica restrito aos pensamentos. Ele se manifesta fisicamente. Tremores, tensão muscular, enjoos, dores de cabeça frequentes, problemas gastrointestinais, palpitações e sensação de falta de ar são sintomas comuns.

Muitas pessoas com TAG procuram atendimento médico acreditando estar tendo um problema cardíaco. A intensidade das sensações pode ser assustadora. É comum ocorrer hiperventilação, ou seja, respirações rápidas e superficiais que provocam tontura, formigamento e sensação de desmaio. O corpo reage como se estivesse em perigo real, mesmo quando não há ameaça concreta.

Essa experiência é profundamente angustiante. Quem vive isso não está exagerando. O sofrimento é legítimo e impacta qualidade de vida, relacionamentos e desempenho profissional.

A Ilusão da Segurança Pela Preocupação

Um dos aspectos mais delicados do transtorno de ansiedade generalizada é a crença de que se preocupar é necessário para viver bem. A pessoa sente que, se parar de pensar nos riscos, estará sendo irresponsável. No entanto, a preocupação crônica não aumenta segurança; ela reduz presença.

Com o tempo, surgem ruminação constante, dificuldade de concentração e sensação de estar sempre “ligada”. Relaxar se torna difícil, porque o cérebro associa tranquilidade à vulnerabilidade. Neurobiologicamente, o sistema de ameaça permanece hiperativado, enquanto a capacidade racional de avaliar riscos fica sobrecarregada.

Por isso, não se trata de “força de vontade”. Trata-se de um padrão emocional aprendido e reforçado ao longo dos anos.

É Possível Viver Sem Esse Peso

A boa notícia é que o transtorno de ansiedade generalizada tem tratamento. A psicoterapia, especialmente com abordagem cognitivo-comportamental, ajuda a identificar crenças centrais sobre perigo e controle, trabalhar a intolerância à incerteza e interromper ciclos de ruminação.

Além disso, técnicas de respiração, regulação emocional e práticas de mindfulness auxiliam na redução da ativação fisiológica. O objetivo não é eliminar toda ansiedade, isso seria irreal! Mas é possível reduzir sua intensidade e impedir que ela governe suas escolhas.

Você não precisa viver permanentemente em estado de alerta. Descansar não é descuido. Relaxar não é irresponsabilidade. Preocupação excessiva não é sinônimo de proteção.

Se você se reconhece nesse padrão, talvez seja o momento de buscar apoio profissional. A terapia é um espaço seguro para compreender o que está por trás da sua ansiedade e aprender estratégias práticas para recuperar equilíbrio. E, se quiser continuar refletindo sobre saúde emocional e compreender melhor seus padrões, acompanhe também meus conteúdos no Instagram. Informação acolhe, mas acompanhamento transforma.

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